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Agência de Jornalismo das periferias

Por: Estela Aguiar

Notícia

Publicado em 09.02.2022 | 18:42 | Alterado em 11.02.2022 | 10:35

Tempo de leitura: 2 min(s)

Correr pra pegar o busão, esperar por horas no ponto de ônibus e contar as moedas para pagar a passagem. O drama diário vivido por tantos brasileiros e também moradores do Jardim João XXIII, na zona oeste de São Paulo, pousa em solo europeu. O documentário “Até Onde a Gente Vai?” (2020) produzido pelo Coletivo da Quebrada e dirigido por Pedro Santos, 25, será exibido na Alemanha, em Hamburgo, no dia 10 de fevereiro.

O longa-metragem, lançado inicialmente em junho do ano passado, alcançou um sucesso que nem o diretor esperava. “A pandemia criou uns muros e não podíamos apresentá-lo em espaços do bairro. Mas tivemos a surpresa das pessoas assistindo online, o que possibilitou que uma galera fora do bairro também assistisse”, comenta.

Filme retrata vida de usuários do transporte público @Divulgacão

O convite surgiu por meio de uma integrante do Coletivo Miradas Feministas, que assistiu ao documentário. “A Renata é brasileira e mora na Alemanha, mostrou o filme para algumas pessoas lá. E o coletivo, junto com o W3 [Workshop de cultura e política internacional, em tradução livre], uma espécie de Sesc da Alemanha, se interessou em exibir”, explica Pedro.

Para que a exibição rolasse, o Coletivo Miradas Feministas pagou a legenda do filme em português e em inglês.

A obra conta a história de três moradores do Jardim João XXIII e suas vivências com o transporte público e a mobilidade urbana. Entre as narrativas, está a da estudante de letras Amanda Evelyn Araújo Silva, 28.

“Foi muito importante pra mim, porque em meio a tudo isso [pandemia] foi registrado uma parte marcante da minha vida, o meu processo no vestibular.”

Amanda em cena do documentário @Divulgação

Na época, a jovem pensava em abrir mão de um de seus maiores sonhos, mas conseguiu passar em uma universidade pública. “Estava sem trabalhar também, estava pensando em desistir do vestibular. Hoje faço letras na Unesp [Universidade Estadual Paulista]”, relembra.

Após quase dois anos de exibição, Amanda sente que a mobilidade urbana não melhorou tanto quanto deveria. “Muitos brasileiros passam por isso todos os dias, em que você é largado em um canto da cidade e para ganhar seu dinheiro, você precisa ficar durante horas em um ônibus apertado”, desabafa.

“O acesso à cidade se torna muito mais cansativo que o próprio trabalho.”

Essa é a realidade retratada no longa. O diretor Pedro, que também participa do roteiro junto com Alvim Almeida Silva Junior, 22, conta do misto de sentimentos pela estreia do filme em outro país. “A expectativa é de curiosidade, ansiedade, de querer saber como as pessoas vão receber a nossa produção.”

Segundo ele, a exibição do documentário na Alemanha remete à proposta do Coletivo da Quebrada, criação dele e do Alvim, que tem como objetivo discutir justamente o acesso à cidade.

Longa-metragem mostra a linha 7545, uma das mais movimentadas da zona oeste de São Paulo @Divulgacão

“A gente não conseguia chegar no centro da cidade e agora estamos na Europa. Que possamos existir e existir também é estar nos lugares e ir para os lugares, isso fala muito do nosso coletivo”, ressalta.

Gravado em 2019, a produção saiu do papel por meio do edital VAI (Valorização de Iniciativas Culturais), ação promovida pela SMC (Secretaria Municipal de Cultura) que apoia financeiramente atividades artístico-culturais em São Paulo.

Confira o trailer:

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Estela Aguiar

Jornalista. É fiel à crença de que da ponte pra cá, o jornalismo é revolucionário. Apaixonada por carnaval, filmes e séries. Correspondente do Jardim João XXIII desde 2019

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