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Aplicativo que localiza remédios nos postos de saúde em SP apresenta falhas

Moradores relataram que a ferramenta Aqui tem Remédio apresenta informações desencontradas; a reportagem também testou o app

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Por: Redação

Notícia

Publicado em 08.06.2021 | 14:24 | Alterado em 10.02.2023 | 18:37

Tempo de leitura: 3 min(s)

O aplicativo Aqui tem Remédio, criado pela Prefeitura de São Paulo para consultar se um medicamento está disponível na UBS (Unidade Básica de Saúde) do seu bairro, tem apresentado problemas de funcionamento.

A ideia é facilitar a rotina de quem usa as farmácias do SUS (Sistema Único de Saúde) ao indicar onde há o medicamento buscado. No entanto, moradores relataram que remédios disponíveis segundo o app não foram encontrados nas unidades correspondentes.

A auxiliar de enfermagem Laura Siqueira, 33, por exemplo, nem sempre encontra os remédios para asma e diabetes dos pais na UBS Jardim São Bento, no distrito do Capão Redondo, zona sul de São Paulo. Ela conta que usa o aplicativo há mais de dois anos, mas não consegue mais confiar nas informações dadas por ele. 

No começo do ano, Laura seguiu a orientação da ferramenta e foi até a UBS Vila Prel, a 6 km de casa. Chegando lá, descobriu que o medicamento que buscava também estava em falta naquele posto.

“Muitas vezes eu ia longe para retirar a medicação e a própria farmacêutica do posto relatava que era um erro do app”, afirma a auxiliar de enfermagem, que desinstalou o programa do celular após as experiências negativas.

Lançado em 2015, durante a gestão Fernando Haddad (PT), o Aqui tem Remédio soma mais de 100 mil downloads no Google Play, sendo o 77º mais baixado na categoria “medicina” da plataforma.

Porém a fama do aplicativo na loja de aplicativos do Android não é das melhores. Conta com uma nota média de 2,4 estrelas, sendo que a maioria das mais de 1.500 avaliações são de apenas uma estrela. Entre as reclamações mais frequentes estão histórias semelhantes à de Laura.

Teste de funcionamento

A reportagem do 32xSP testou o aplicativo, tomando como referência 14 UBSs do distrito do Capão Redondo e o AMA (Assistência Médica Ambulatorial) que atende a região. Realizamos uma busca no mês de abril pelo remédio Cloridrato de Metformina, usado no tratamento de diabetes. 

Depois de realizar a busca no app, entramos em contato com as UBSs para confirmar se havia ou não o medicamento no local. Nesse teste, a informação do Aqui tem Remédio não bateu com o indicado pela farmácia em, pelo menos, três das 15 unidades consultadas. 

A diferença desse teste para as reclamações dos usuários foi que, neste caso, a divergência era a UBS ter o medicamento, enquanto o aplicativo não o mostrava na pesquisa.

Outro problema relatado nas reclamações da Play Store, e que também ocorreu durante o teste feito pelo 32xSP, é o aplicativo “travar” e não entregar nenhum resultado. Toda vez que esse erro foi notado, só foi possível refazer a busca após fechar o app e abri-lo novamente.

A reportagem pesquisou 62 medicamentos da Relação Municipal de Medicamentos (lista que indica quais remédios estão disponíveis à população nas unidades de saúde da capital). Apenas dois remédios pesquisados “travaram” o aplicativo: o Acetato de Medroxiprogesterona (comprimido de 10mg), usado no tratamento de sangramento intermenstrual, e o Risperidona (comprimido de 2mg), usado em tratamentos psiquiátricos.

Como resolver as falhas?

A SMS (Secretária Municipal de Saúde) foi questionada sobre os erros citados. A reportagem também perguntou como é feita a atualização das informações de onde há ou não os medicamentos e como é organizada a distribuição para as unidades.

A assessoria de imprensa da pasta encaminhou as dúvidas para a Insix Soluções Inteligentes, uma empresa de Salvador (BA), responsável pelo desenvolvimento do aplicativo.Além do Aqui tem Remédio, eles criaram o Meu Remédio, oferecido para outras prefeituras pelo país. Não foi possível o contato com a empresa.

Via SMS, a Insix pediu à reportagem as informações dos testes de uso para descobrir se os erros de funcionamento eram falha humana ou problemas pontuais. Depois disso, a secretaria informou que o aplicativo Aqui tem Remédio está em “constante melhora, para mitigar possíveis ajustes no carregamento e atualização”. 

Segundo a pasta, a atualização no sistema é feita diariamente, “por meio de baixas nos medicamentos em cada unidade” e que a disponibilidade apresentada no app corresponde “ao saldo no dia anterior à consulta”.

Entenda como usar o aplicativo

É possível acessar a ferramenta por meio do site ou baixar o aplicativo em celulares Android ou iOS. Confira o passo a passo:

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Redação

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