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150 famílias são desalojadas do Jardim Humaitá, na zona oeste de SP

Defesa Civil e Prefeitura de São Paulo iniciaram uma remoção administrativa; população se queixa de falta de aviso prévio

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Por: Redação

Publicado em 22.02.2019 | 15:51 | Alterado em 22.02.2019 | 15:51

Tempo de leitura: 2 min(s)
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Remoção dos barracos teve início na quarta-feira, dia 20 (Reprodução)

Cerca de 150 famílias foram removidas da comunidade onde moram, no Jardim Humaitá, zona oeste de São Paulo, na manhã da última quarta-feira (20). De acordo com a Defesa Civil e a Prefeitura de São Paulo, a área está contaminada por gás metano e é considerada de alto risco, podendo causar deslizamentos e até rompimento de suas bacias de contenção.

O terreno, que fica próximo ao “Cebolão”, na região da Vila Leopoldina, pertence à Emae (Empresa Metropolitana de Águas e Energia) e é usado como depósito de rejeitos do rio Tietê. 

O Complexo do Cebolão (Complexo Viário Heróis de 1932) interliga três importantes vias de São Paulo: Marginal Tietê, Marginal Pinheiros e Rodovia Castelo Branco.

Muitos moradores, no entanto, vivem há mais de uma década no local. É o caso do garçom André Nilson, 28, que se mudou para a comunidade em 2008.

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“Eu levei quatro anos para construir a minha casa. Agora querem que eu saia sem nada. O que me indigna é que, se eles sabiam que tanta gente morava aqui, por que resolveram tirar todo mundo só agora?”
André Nilson, morador do Jardim Humaitá, zona oeste

De acordo com Nilson, os moradores foram notificados quanto à reintegração de posse no mês de dezembro de 2018. Também foi ofertado um auxílio aluguel no valor de R$ 400. O que, para ele, é insuficiente.

“Eu já pesquisei por preços de aluguel em outros lugares, mas o que dá para fazer com 400 reais?”, diz.

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Moradias estão no local há, pelo menos, dez anos (Reprodução)

Além da área cuja propriedade é da Emae, também há moradias construídas próximas à Linha 8–Diamante da CPTM. Barracos erguidos na área pertencente à Companhia também foram derrubados, sob alegação de risco de incêndios.

SEM TER PARA ONDE IR

Sem ter para onde ir, moradores do Jardim Humaitá se queixam da falta de informações prévias por parte do poder público.

De acordo com um documento protocolado na subprefeitura Lapa pelo coordenador do CPM (Conselho Participativo Municipal) da Lapa, José Antônio Zagato, a remoção administrativa “está permeada por inúmeras lacunas de informações obrigatórias a serem prestadas”.

“A notícia da ‘remoção administrativa’ chegou à comunidade sem que as famílias tenham, até o momento, visto seus direitos fundamentais e sociais devidamente observados”
Informa documento protocolado na subprefeitura Lapa 

“A comunidade não tem obtido acesso a todas as informações públicas mínimas, por parte dos órgãos do Governo Municipal e Estadual; quanto às medidas obrigatórias a serem cumpridas previamente a qualquer ação de remoção administrativa”, continua.

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Como protesto, moradores da comunidade bloquearam a pista local da Marginal Tietê durante a manhã do dia 20 (Reprodução)

De quarta para quinta-feira, famílias tiveram que passar a noite nas ruas, afirma Graciana de Souza Brune, docente na Emef (escola municipal de ensino fundamental) Anibal Freire Min, onde as crianças da comunidade estudam.

“Algumas famílias se instalaram embaixo da Ponte dos Remédios e do Ceasa. As crianças faltaram à escola, porém, enquanto os barracos eram derrubados, disseram ao diretor que amanhã irão à aula. Pergunto a você: que amanhã?”, escreveu em sua página do Facebook.

Até o dia 28 deste mês, mais famílias devem sair do local.

https://32xsp.org.br/2018/03/15/2-000-familias-poderao-ser-desalojadas-de-favela-na-cidade-ademar/

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