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Quais os espaços de brincar em Cidade Tiradentes?

Léu Britto/ Agência Mural

No distrito, marcado por ocupações e conjuntos habitacionais, crianças nem sempre têm garantido o direito de brincar

Por: Léu Britto

Notícia

Publicado em 30.01.2024 | 16:41 | Alterado em 31.01.2024 | 15:02

Correr, pular, jogar bola, empinar pipa, desenhar, brincar na casa de amigas e amigos, e, se divertir nas áreas de lazer do bairro. Essas atividades podem até parecer simples, mas são direitos das crianças, que tem no brincar seu principal compromisso.

Mas nas periferias das cidades, o ato de brincar pode ser permeado de outros desafios. A Agência Mural visitou quatro famílias em duas ocupações e Cohabs (Companhia Metropolitana de Habitação de São Paulo) de Cidade Tiradentes, no extremo leste de São Paulo, para entender como e se as crianças da região têm seu direito ao brincar garantido.

Ocupação Leonardi

Quem cruza a avenida Souza Ramos, em Cidade Tiradentes, encontra uma paisagem muito particular: em ambos lados da via é possível identificar ocupações por moradia.

Uma delas é a Ocupação Leonardi, nome esse dado ao terreno da antiga empresa de construção dona do espaço. Vigas de concreto abandonadas pela empresa no terreno da ocupação, que já causaram problemas sérios aos moradores.

"Muitas crianças pegam doenças porque querem pular perto do córrego. Outras pulam nas vigas de concreto e muitas já cortaram os pés. Não tem opção de brincar aqui", diz a líder comunitária Cassia arolina da Conceição Souza @Léu Britto/ Agência Mural

Crianças e adolescentes brincam na ponte. Algumas atiram facas em isopor, outras sentam no beiral da ponte e outras ainda se aproximam das margens do córrego @Léu Britto/ Agência Mural

Ponte que corta a ocupação e faz ligação de acesso da Av. Souza Ramos a Estrada Iguatemi, duas vias importantes de acesso à Cidade Tiradentes

Esmeralda Menezes, 4, filha de Cássia, brinca no galpão da Associação Deus Pelejará por Nós @Léu Britto/ Agência Mural

Ele brinca em casa, não tem como deixar eles brincarem ao ar livre, porque é muito perigoso. Tenho um quintal, ele brinca ali, quando não quer mais, pega brinquedos ou joga vídeo game", diz a auxiliar de cozinha Bárbara de Fátima do Nascimento, 35, mãe de Arthur Henrique do Nascimento, 7

No quintal, Arthur divide espaço com diversos objetos da família

‘Tem parque, mas sem estrutura’

A oferta de locais de lazer, cultura e entretenimento para crianças não é grande em Cidade Tiradentes, segundo moradores do distrito.

“Durante as férias ela está brincando mais em casa, devido aos altos custos de sair para longe”, diz a professora Vanessa Cristina de Oliveira, 44, sobre as opções de lazer para sua filha Julia Victoria de Oliveira, 5.

"Vamos à praça em horários que não tem muito sol, porque não é muito arborizado. Não são todas as praças que tem estrutura de brinquedos e só até um determinado horário é seguro”, diz @Léu Britto/ Agência Mural

Nós estamos a menos de 200 metros dessas praças, mas elas não têm estrutura, estão sujas e são muito próximas a Avenida Metalúrgicos. Não dá para confiar em deixar uma criança brincar solta. É um risco completo", explica @Léu Britto/ Agência Mural

Júlia pede: ‘mãe, eu quero brincar!’. Segundo ela, esse é o momento mais aguardado do dia @Léu Britto/ Agência Mural

Grande parte dos brinquedos da praça estão quebrados, faltando de pedaços do escorregador ao suporte da gangorra

Na ocupação Nós na Luta, brincar é coisa séria

Uma das líderes comunitárias da ocupação “Nós na Luta”, localizada na divisa entre Cidade Tiradentes e Guaianazes, exibe com orgulho a conquista coletiva para assegurar às crianças o direito de brincar.

Em 2021, Maria Edvania Souza, 30, se uniu a outras mulheres para ocupar um terreno particular que estava vazio há anos e soma R$ 23 mil em dívidas de IPTU. Além de moradias, ela almejam que o poder público dê suporte às famílias. Mesmo sem recursos, elas realizaram um dos seus principais planos: organizar uma brinquedoteca para as crianças da ocupação.

"É um espaço onde elas se sentem livres, onde podem pintar, ler livros e assistir televisão, que muitas crianças não têm em casa”, diz Maria

“A gente abre o espaço para eles brincarem à vontade", explica @Léu Britto/ Agência Mural

“Se não existisse a brinquedoteca, acredito que elas brincariam na rua, no meio do barro e das pedras, com risco de acidentes” @Léu Britto/ Agência Mural

O barracão onde funciona a brinquedoteca foi organizado pelos moradores. Logo, eles receberam apoio de parceiros e de ONGs que ajudaram a levantar as paredes de alvenaria @Léu Britto/ Agência Mural

"O Grupo Ação Social Atender Sempre e a Academia Carolinas ajudaram bastante a gente: chegaram com tinta para pintar o galpão, grupos de teatro, material didático, livros e doações de brinquedos" @Léu Britto/ Agência Mural

"As crianças aqui têm muitos sonhos, como o de um dia poderem andar na rua e serem livres para caminhar, brincar, jogar bola, com a segurança de um amanhã garantido” @Léu Britto/ Agência Mural

“Que elas não tenham medo de perder seus pais e de enfrentarem enchentes, pobreza e violência. Que tenham um espaço onde possam ser apenas crianças” @Léu Britto/ Agência Mural

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Léu Britto

Fotojornalista e videomaker. Transitar pelos becos e vielas do mundo amando cada um do seu jeito e maneira de viver. Cofundador do DiCampana Foto Coletivo. Correspondente do Jardim Monte Azul desde 2010.

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