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Agência de Jornalismo das periferias

Por: Aline Almeida

Notícia

Publicado em 14.09.2022 | 9:00 | Alterado em 14.09.2022 | 12:09

Tempo de leitura: 3 min(s)

“O samba como instrumento de transformação social” é o lema que o grupo Pagode da 27 carrega há 17 anos. Em 2022, veio aí mais um passo nesse ideal: foi inaugurada a Casa 27, no Grajaú, extremo sul de São Paulo. O espaço traz atividades culturais para os moradores e incentiva ações sociais no distrito.

O Pagode da 27 é uma roda de samba tradicional na região. E motivados a estender as ações sociais que já aconteciam nas rodas aos domingos, integrantes do grupo conseguiram viabilizar o local, em parceria com o Cedeca (Centro de Defesa da Criança e do Adolescente).

“A Casa 27 é um lugar onde o Pagode da 27 vai conseguir concentrar as ações sociais e oferecer oficinas para as crianças. Mostrar o outro lado [do projeto], não somente o musical”, comenta Leandro Carvalhal, 28, integrante do grupo. Ele é músico, professor e luthier – termo que se refere ao especialista em criar instrumentos de corda, como cavaquinho e banjo.

Para Leandro, que é morador do Grajaú, a casa é uma forma de mostrar caminhos alternativos aos jovens e crianças, contribuindo para a conscientização da educação racial e social.

Parte interna da Casa 27, espaço que vai concentrar oficinas para crianças e outras atividades culturais @Aline Almeida/Agência Mural

Atualmente, o local está com uma iniciativa pública: o programa de iniciação artística, toda segunda-feira. “Professores fazem várias atividades com crianças de 5 a 14 anos para identificar talentos. Ver quem tem potencial para se tornar um ator, um desenhista ou uma dançarina, por exemplo”, conta o integrante Jefferson Santiago, 41, produtor e músico (percussão geral).

Também são oferecidas oficinas para que pequenos possam aprender todo o processo de construção de um cavaco. E apresentações de teatro de coletivos artísticos da periferia – que por meio de editais conseguem manter as atividades.

A roda de samba

Além de trazer um momento de lazer, há o olhar atento à vulnerabilidade social. Por isso que desde a fundação do pagode, eram organizadas ações de doações de alimentos para famílias da região. Nas rodas de samba, ainda hoje, o grupo pede aos moradores que levem ao encontro um quilo de alimento não perecível.

“A gente viu que os encontros [de samba] tinham um potencial muito grande de ajudar as pessoas”

Jefferson Santiago, produtor e músico

O Pagode da 27 surgiu em 2005, quando amigos e vizinhos da Rua Manuel Guilherme dos Reis passaram a se reunir, levando o samba para alegrar os encontros. Com o passar do tempo, não só amigos, como vários moradores do bairro, começaram a frequentar o local e, consequentemente, a mudar a realidade.

Pagode da 27 acontece há 17 anos no Grajaú @Aline Almeida/Agência Mural

Mas antes de ter um nome, a rua era identificada por 27. No início dos anos 1990, essa rua conhecida por ser uma das mais perigosas da zona sul, se transformou em um ponto de diversão para os moradores, que na época não contavam com muitas opções de lazer.

E assim foi escolhido o nome da roda de samba. “No dicionário, o nome pagode não era de gênero musical. Na verdade, pagode significa uma reunião que pode acabar em música, então colocamos esse nome, que quer dizer uma reunião de amigos da 27″, relembra Jefferson, idealizador do projeto.

Escolinha de futebol e biblioteca

Em 2011, o grupo chegou a criar uma escolinha de futebol, a Filhos da Favela, com o intuito de oferecer práticas de esporte de forma gratuita e com acompanhamento de educadores voluntários.

Além disso, bem antes da Casa 27 existir de fato, o grupo também fundou uma biblioteca. Criada há oito anos, a 27 Motivos surgiu como algo inovador, já que os frequentadores podiam ter acesso gratuito a livros enquanto curtiam o pagode.

“A gente queria trazer uma coisa bem inusitada. Você pode escolher um livro, levar pra casa, sem precisar fazer cadastro. A gente pede para a pessoa devolver se ela puder, senão, só passar adiante”, explica Jefferson.

Ele conta que durante a pandemia a biblioteca não parou. Para incentivar crianças a lerem, eles levavam os livros até elas. “Fomos até a casa de 50 crianças com seis opções de livros para que escolhessem e após 30 dias voltávamos e conversávamos com elas sobre as histórias. Em seguida, trocávamos por outro livro.”

A biblioteca é uma das iniciativas que se somam a Casa 27 para contribuir com o desenvolvimento sociocultural da região.

“Minha expectativa é que seja um lugar de muito amor, carinho, muita paz e que possamos transformar vidas, acolher crianças e mostrar um caminho para que possa se espelhar e seguir”, ressalta o professor Leandro.

Os moradores interessados em participar das atividades programadas devem ir até o local e realizar a inscrição.

Casa 27

Endereço: Rua Pedro Starbulov, 152 – Grajaú

Pagode da 27

Endereço: Rua Manuel Guilherme dos Reis, s/n – Grajaú

Horário de funcionamento: Roda de samba todos os domingos, das 16h às 20h

Preço: Gratuito

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Aline Almeida

Formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo. Ama livros, música e séries. Libriana apaixonada por pets. Correspondente do Grajaú desde 2022.

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