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Nas periferias ainda se sabe pouco sobre a varíola dos macacos

São Paulo é o estado com maior número de casos da doença no país; saiba quais são os sintomas, tratamento e formas de prevenção

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Por: Estela Aguiar

Notícia

Publicado em 02.09.2022 | 18:52 | Alterado em 14.09.2022 | 13:35

Tempo de leitura: 4 min(s)

A varíola dos macacos, doença causada pelo vírus Monkeypox, despertou o alerta máximo da OMS (Organização Mundial da Saúde). O Brasil registrou a primeira infecção em 9 de junho deste ano e atualmente tem 5.037 casos confirmados, sendo 3.001 pacientes (59,5%) apenas no estado de São Paulo.

A doença é uma zoonose viral, ou seja, um vírus que circula em animais e foi transmitido para os seres humanos. No entanto, apesar do nome, a origem não é do macaco, animal que é um hospedeiro acidental da infecção.

O reservatório natural ainda é desconhecido, mas já foi identificado que os principais hospedeiros são os roedores. O nome foi dado à enfermidade porque na década de 1950 foram identificados macacos doentes pela primeira vez.

Em 2017, a Nigéria, país do continente africano, registrou novos casos confirmados da varíola. De lá para cá, o vírus também passou a ser endêmico (restrito a determinada região geográfica) em países como República Centro-Africana, República Democrática do Congo, Libéria, República do Congo e Serra Leoa.

Em maio deste ano, a doença foi detectada na Inglaterra, na Europa, em um indivíduo com histórico de viagem para a Nigéria. No mês seguinte, o vírus já havia se espalhado por outros países e continentes.

Transmissão

Moradora de Ferraz de Vasconcelos, na Grande São Paulo, a supervisora de contratos Monalisa Moreira Arruda, 35, tem se informado sobre como ocorre a transmissão do vírus. “Sei que é pelo contato humano, por objetos compartilhados ou por espirros”, afirma. E ela não está errada.

Segundo a OMS, a transmissão da varíola dos macacos ocorre por meio do contato direto ou próximo com as lesões na pele, secreções respiratórias e a utilização de um objeto que esteja sendo usado por uma pessoa infectada.

A fotógrafa Rafaela Mourão, 27, moradora de Carapicuíba, também na Grande São Paulo, leu que o contato com vírus se dá através das relações sexuais e que a comunidade LGBTQI+ (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transexuais, Queer e Intersexo), em especial homens gays e bissexuais, estão mais vulneráveis a doença, conforme divulgado pela OMS.

“Entretanto, podem ser preocupantes algumas afirmações que podem associar a doença a algo apenas ‘dos gays’”

Rafaela Mourão, fotógrafa

Apesar de os primeiros estudos mostrarem uma incidência maior de contágio entre homens que fazem sexo com homens, a doença pode atingir qualquer pessoa independentemente do gênero ou da orientação sexual.

O uso de preservativos também não reduz as chances de infecção, por isso o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom, orientou que, neste momento, homens gays, bissexuais e trabalhadores do sexo reduzam o número de parceiros sexuais para diminuir o risco de exposição. E também fez um reforço: “estigma e discriminação podem ser tão perigosos quanto qualquer vírus e podem alimentar o surto”.

Apesar da doença não ter o mesmo nível de contágio que a Covid-19, o pesquisador José Ângelo Lauletta Lindoso, do laboratório de protozoologia, da Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo), faz um alerta sobre a desinformação.

“Olhando para a varíola, diria que podemos pensar no que foi o HIV (Vírus da Imunodeficiência Humana) na década de 1970. Precisamos pensar em políticas públicas, um reforço de propaganda para tentar frear esse curso de transmissão”, diz.

De acordo com um estudo publicado na revista científica New England Journal of Medicine, 95% dos casos analisados nas nações que registraram contágios são suspeitos de transmissão durante a relação sexual, no contato com a pele, beijos e toques – apesar de não ser uma IST (Infecção Sexualmente Transmissível).

Ainda não há evidências de transmissão via atividades do cotidiano, como utilizar assentos no transporte público ou compartilhar equipamentos em uma academia de ginástica, por exemplo.

Sintomas

Entre os sintomas da varíola dos macacos, estão:

• Fraqueza e mal-estar;

• Febre;

• Dor de cabeça;

• Inchaço e dor nos gânglios (conhecidas popularmente como ínguas);

• Lesões (que lembram uma espinha inflamada).

Mensagem sobre características e estágios das lesões é exibida em unidade de saúde de São Paulo @Agência Mural

Segundo o pesquisador José Ângelo Lauletta, ainda não há evidência de quantos dias após ter contato com uma pessoa infectada será desenvolvida a doença, mas há uma estimativa de quanto tempo o vírus se manifesta no corpo.

“Entre a infecção até o tempo em que aparecem as lesões (chamado de período de incubação) são de 5 a 14 dias”

José Ângelo Lauletta, pesquisador do laboratório de protozoologia da FMUSP

O Ministério da Saúde informa que a testagem de um caso suspeito de infecção é feita de forma laboratorial, por teste molecular ou sequenciamento genético. A amostra analisada ocorre por meio das lesões e, quando elas não existem, a coleta ocorre via cotonete inserido na boca, no ânus ou no órgão genital.

Tratamento

Segundo a OMS, não há tratamentos específicos para a infecção pelo vírus da varíola dos macacos, uma vez que os sintomas desaparecem de forma espontânea. É recomendado evitar tocar nas feridas, na boca ou nos olhos, e cuidar de todas as lesões de acordo com as orientações médicas.

A Organização Mundial da Saúde também aconselha que as pessoas com a doença usem preservativos nas relações sexuais por 12 semanas após a recuperação até que se saiba mais sobre o vírus e a potencial infecciosidade através do sêmen.

Prevenção

Thiago Nascimento, 37, orientador socioeducativo e morador de Taboão da Serra, na Grande São Paulo, confessa que não sabe muito quais são as formas de se proteger da Monkeypox. “Acredito que tem a vacina, mas não sei qual é o cuidado”, comenta.

Entre a prevenção, estão cuidados parecidos com os que são recomendados para a Covid-19, como utilização das máscaras para evitar o contato com partículas respiratórias, evitar o compartilhamento de objetos contaminados e o contato direto com as feridas e secreções da doença.

Vacina

Sim, há vacina. A vacina contra a varíola pode proteger contra a Monkeypox, porém como a doença que circula atualmente não é a mesma de anos atrás, por ter sido erradicada, não há uma ampla disponibilidade de vacinas ao público.

Segundo a OPAS (Organização Pan-Americana da Saúde), há estudos que mostram que as pessoas vacinadas contra a varíola no passado podem ter alguma proteção contra a varíola dos macacos.

Recentemente, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) autorizou a liberação de vacinas e medicamentos contra a varíola dos macacos sem registro no país. Inicialmente a imunização é destinada aos profissionais de saúde que manipulam as amostras recolhidas de pacientes e pessoas que tiveram contato direto com um infectado.

Em caso de novas informações sobre a varíola dos macacos, transmissão e/ou prevenção da doença, a publicação será atualizada.

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Estela Aguiar

Jornalista. É fiel à crença de que da ponte pra cá, o jornalismo é revolucionário. Apaixonada por carnaval, filmes e séries. Correspondente do Jardim João XXIII desde 2019

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