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Agência de Jornalismo das periferias

Por: Ira Romão

Notícia

Publicado em 03.11.2022 | 12:39 | Alterado em 03.11.2022 | 19:37

Imagina o que pode acontecer quando a música vem acompanhada de outras atividades que favorecem o bem-estar. É o que oferece o Show Terapêutico da banda de pop rock UmBrado, grupo formado por três artistas de diferentes periferias de São Paulo.

“O Show Terapêutico é um espetáculo que proporciona ao público uma experiência na busca do controle da ansiedade excessiva. Nessa busca interligamos música, teatro e uma dinâmica terapêutica”, diz Anderson Vieira, mais conhecido como Dedé Vieira, 33, produtor cultural e voz e violão da banda.

“Posso dizer que quem assistir o nosso espetáculo vai estar diante de uma grande imersão, nessa busca de encontrarmos possibilidades ou ser um caminho [para amenizar a ansiedade]”, acrescenta.

O espetáculo tem duração de uma hora. Para cada música, há uma cena e interação com o público. Nos 20 minutos finais, um convidado da área de psicologia ou arteterapia participa, para aplicar a dinâmica terapêutica e a importância do equilíbrio da ansiedade.

A participação desse profissional é fundamental, pois dá amparo ao cuidado que a banda tem para não despertar gatilhos no espectador.

José, Mariê e Dedé formam a banda UmBrado @Divulgação

“O espetáculo não é cura. A terapia não é cura. Ela é um caminho para que você consiga externar ou ver o externo e, assim, consiga achar algumas respostas. O que também não prometemos, já que toda busca é uma tentativa que pode dar certo ou não”, sinaliza.

O show nasceu do recorte de uma das músicas da banda, intitulada “Posso te visitar”, que aborda a questão da ansiedade nos dias de hoje, potencializado pela tecnologia.

“As pessoas vivem nos seus simulacros da vida e, claro, que a conta da falta do contato físico, do olho no olho chega uma hora”, comenta Dedé, que é morador do bairro do Morro Doce, no distrito de Anhanguera, zona noroeste da capital.

“Há um momento de introspecção sobre o que são relações saudáveis e com o quê estamos nos relacionando. Estamos preferindo nos ‘relacionar’ mais com objetos, em específico o celular, do que manter contatos humanos”

Dedé Vieira, artista do grupo

Para o produtor musical, essa conta “vem muito forte com a questão da depressão, da solidão e da ansiedade”. O espetáculo levanta essas questões a partir da reflexão de como estão as relações humanas.

A estreia do espetáculo estava prevista para o início de 2023, mas foi antecipada para o final de setembro deste ano, mês em que se discute a questão da saúde mental. O grupo resolveu abrir para o público a gravação do vídeo de divulgação do show.

“É uma imersão que queremos conduzir e percorrer por vários períodos do ano”, diz Dedé, frisando que o intuito da banda é fazer um longo circuito com esse show pelas periferias da capital e Grande São Paulo.

UmBrado

Trabalhar o recorte de ansiedade foi a maneira encontrada pela UmBrado para melhor unir diferentes temáticas na proposta como: relações saudáveis, depressão e solidão. A construção do show foi feita com base em memórias afetivas que os integrantes tiveram de lidar e também com o retorno que tiveram após o lançamento de “Posso te Visitar”.

O nome da banda é a junção de duas palavras: “um” e “brado”, que significa voz enérgica, grito. Nas palavras de Dedé, brado “é a união de vozes, uníssono, todo mundo cantando no mesmo som. É aquela coisa de unir várias frequências e se tornar uma mesma força”.

Sobre a junção com o “um”, em que a grafia é colada, o produtor cultural explica que foi uma forma de reforçar todo esse significado.

A banda surgiu em 2018, inicialmente como um quarteto, no intuito de ser um programa musical na internet. “Mas deu tão certo gravar em estúdio que começamos a tocar em saraus e festivais. Quando percebemos, éramos uma banda”, lembra.

Hoje, no novo formato da banda, além de Dedé, estão José Luis, morador do Jardim Fontalis, na zona norte, e Mariê, que hoje mora em Taboão da Serra, na Grande São Paulo, mas viveu até pouco tempo atrás em Paraisópolis, na zona sul.

UmBrado costuma se apresentar em festivais, casas de cultura e centros culturais. E tem as periferias como cerne do negócio. “É a alma da banda. Todo nosso processo criativo vem dos nossos olhares, das nossas vivências enquanto periféricos”, diz Dedé;

“Embora consigamos falar sobre muitas outras coisas, nossa forma de transpor nossa arte é feita com o coração dentro da periferia.”

Para saber mais sobre a UmBrado e o “Show Terapêutico” acesse a página da banda no Instagram.

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Ira Romão

Jornalista, fotojornalista e apresentadora de podcast. Atuou em comunicação corporativa. Já participou de diferentes projetos como repórter, fotógrafa, verificadora de notícias falsas e enganosas. Foi uma das apresentadoras do ‘Em Quarentena” e da série sobre mobilidade nas periferias. Ama ouvir histórias, dançar, karaokê e poledance. Correspondente de Perus desde 2018.

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